A gravidez muda o corpo de formas que vão muito além do que se vê por fora, e o sistema venoso sente essa transformação desde cedo. O volume de sangue circulante sobe de forma considerável, o útero em crescimento pressiona as veias da pelve e do abdômen, e a progesterona, hormônio indispensável para manter a gestação, relaxa as paredes dos vasos sanguíneos. Esse conjunto de fatores prepara o terreno para o surgimento ou agravamento das varizes, algo que atinge uma parcela expressiva das gestantes, principalmente a partir do segundo trimestre.
Existem medidas concretas que ajudam a proteger a circulação durante esses meses. Elas não eliminam o risco, especialmente em quem tem histórico familiar ou já apresentava algum grau de insuficiência venosa antes de engravidar, mas podem reduzir o desconforto e limitar a progressão do problema. Ao contrário do que muitas mulheres imaginam, também é possível buscar orientação vascular ainda durante a gestação, sem esperar o parto para conversar com um especialista.
Este artigo explica por que as varizes aparecem na gravidez, quais hábitos fazem diferença real e em que momento faz sentido agendar uma avaliação com um cirurgião vascular.
Por que a gravidez favorece o aparecimento das varizes?
Três mecanismos acontecem ao mesmo tempo durante a gestação e sobrecarregam o sistema venoso das pernas. O primeiro é o aumento do volume sanguíneo: o organismo produz mais sangue para sustentar o bebê, e as veias precisam comportar esse volume extra. O segundo é a compressão mecânica: à medida que o útero cresce, ele pressiona as grandes veias responsáveis por devolver o sangue das pernas ao coração, dificultando esse retorno. O terceiro é hormonal: a progesterona amolece a musculatura das paredes venosas, reduzindo a capacidade das veias de se contrair e empurrar o sangue para cima.
O resultado prático é que o sangue tende a se acumular nas veias das pernas, que se dilatam para comportá-lo. Quando as válvulas internas deixam de fechar bem, surgem as varizes. Quem já tinha predisposição genética ou veias previamente comprometidas sente esse efeito com mais intensidade.
Quais hábitos ajudam a proteger a circulação durante a gestação?
Nenhuma medida preventiva age de forma isolada, mas a combinação de hábitos simples pode fazer diferença real no conforto e na saúde vascular ao longo dos nove meses:
- Usar meias de compressão elástica desde o início da gravidez, especialmente em dias de muito tempo em pé ou sentada: a compressão graduada ajuda o sangue a vencer a gravidade e retornar às veias centrais
- Caminhar regularmente, quando não houver contraindicação obstétrica. O movimento ativa a bomba muscular da panturrilha, que é o principal mecanismo natural de retorno venoso
- Elevar as pernas durante o repouso, apoiando os pés acima do nível do quadril por alguns períodos ao longo do dia
- Evitar ficar parada por longos períodos, tanto em pé quanto sentada; se o trabalho exige isso, movimentar os pés e tornozelos com frequência já ajuda
- Manter uma hidratação adequada e controlar o ganho de peso dentro do que o obstetra recomendar
- Evitar roupas muito apertadas na região da cintura e das coxas, que comprimem as veias e dificultam a circulação
- Dormir de lado, preferencialmente sobre o lado esquerdo, para reduzir a compressão da veia cava inferior pelo útero
O uso de meias de compressão merece atenção especial: a gradação adequada para cada caso deve ser orientada pelo médico, já que o uso incorreto pode ser ineficaz ou causar desconforto.
Quem tem mais risco de desenvolver varizes na gravidez?
Algumas mulheres chegam à gestação com fatores que aumentam a chance de desenvolver ou agravar varizes. Conhecer esses fatores ajuda a entender por que a avaliação vascular preventiva faz sentido, especialmente para quem se encaixa em mais de um deles:
- Histórico familiar de varizes (mãe, avó ou irmãs com o problema)
- Presença de vasinhos ou varizes antes da gravidez
- Trabalho que exige longos períodos em pé ou sentada
- Segunda gravidez ou mais — o risco tende a crescer a cada gestação
- Sobrepeso no início da gestação
- Histórico de trombose venosa profunda
Para mulheres com esses fatores, conversar com um cirurgião vascular antes mesmo de engravidar pode ser uma vantagem. Avaliar o estado das veias com antecedência permite adotar medidas mais direcionadas desde o primeiro trimestre.
Varizes na gravidez precisam de tratamento imediato?
Na maioria dos casos, o tratamento invasivo das varizes é adiado para depois do parto. Parte das varizes que surgem durante a gestação pode regredir espontaneamente nas semanas seguintes ao nascimento, à medida que o volume sanguíneo normaliza e a pressão sobre as veias diminui. Por isso, a orientação habitual é aguardar alguns meses após o parto para reavaliar o quadro e, se necessário, indicar o tratamento adequado.
Durante a gravidez, o foco fica nas medidas de alívio e controle, como meias de compressão, atividade física orientada e repouso com as pernas elevadas, além do monitoramento de sinais que possam indicar complicações. A trombose venosa profunda é a principal preocupação: seu risco é aumentado tanto no período gestacional quanto no puerperal.
Quando consultar um cirurgião vascular durante a gravidez?
A presença de varizes durante a gestação não é uma emergência na maioria das vezes, mas alguns sinais pedem avaliação médica sem demora:
- Dor intensa, calor ou vermelhidão em uma região da perna, especialmente se localizada
- Inchaço assimétrico: uma perna visivelmente mais inchada que a outra
- Sensação de endurecimento em algum trecho da veia
- Varizes que surgem de forma rápida e intensa, especialmente no início da gravidez
- Qualquer sintoma que cause dúvida ou preocupação
Mesmo sem sinais de alarme, mulheres com histórico de varizes ou trombose se beneficiam de uma consulta vascular durante o pré-natal. Na Clínica Salus, em Palmas, a Dra. Nayara Cavalcante realiza avaliação vascular com Doppler no mesmo local, o que permite mapear o estado das veias e orientar medidas preventivas individualizadas, sem necessidade de deslocamento para outro serviço.
O que esperar depois do parto?
Para as varizes que persistirem após o período de recuperação, existem hoje opções de tratamento minimamente invasivas, como o CryoLaser, a Espuma Ecoguiada e o Laser Endovenoso, sem internação hospitalar, e adaptadas ao tipo e calibre de cada veia. O plano de tratamento é sempre definido após avaliação individual, considerando o quadro clínico de cada paciente.
Cuidar da saúde vascular durante a gravidez é agir antes de precisar tratar. Se você está grávida ou planejando uma gestação e tem dúvidas sobre a circulação nas pernas, agende uma avaliação com a Dra. Nayara Cavalcante em Palmas: quanto antes a conversa acontecer, mais recursos estarão disponíveis para proteger sua saúde venosa ao longo de toda a gestação.