Por muito tempo, tratar varizes significava enfrentar uma sequência que muita gente preferia evitar: centro cirúrgico, anestesia geral, dias deitada e semanas até conseguir voltar ao ritmo normal. Essa imagem ainda passa de mãe para filha, de colega para colega — e continua sendo um dos principais motivos pelos quais mulheres postergam a consulta, mesmo com dor, pernas pesadas ou incômodo com o que veem no espelho.
O que mudou, no entanto, muda bastante a equação. Hoje, a maior parte dos casos de varizes é tratada em consultório ou clínica, sem internação, sem centro cirúrgico e sem anestesia geral. A paciente chega, faz o procedimento e vai para casa no mesmo dia. Não é um caso isolado ou um privilégio de poucos — é o modelo padrão para a maioria dos perfis clínicos atualmente atendidos pela cirurgia vascular.
Este artigo explica como esse modelo funciona, quais técnicas estão disponíveis e o que orienta a escolha de uma em vez de outra. A avaliação sempre é individual, feita pela cirurgiã vascular, mas entender o panorama ajuda a chegar à consulta com menos dúvida e menos receio.
Por que o tratamento ambulatorial se tornou o padrão?
As veias que formam varizes ficam na camada superficial da perna — acessíveis, portanto, por abordagens que não exigem incisões largas nem manipulação de estruturas profundas. Essa localização é o que torna o tratamento ambulatorial tecnicamente viável para a maioria dos casos.
O que garantiu a segurança desse modelo foi o avanço do Doppler venoso: com esse exame, a cirurgiã mapeia o trajeto exato das veias comprometidas antes de qualquer procedimento. Sabe-se onde há refluxo, qual veia está alimentando o problema e qual extensão precisa ser tratada. Esse mapeamento prévio é o que diferencia um procedimento ambulatorial bem indicado de uma abordagem feita no achismo.
Quais são as principais técnicas disponíveis hoje?
As opções variam de acordo com o calibre das veias e a natureza do problema. As mais utilizadas atualmente incluem:
- Laser endovenoso — indicado para varizes de médio e grande calibre. Uma fibra óptica é introduzida dentro da veia e aplica energia térmica que fecha o vaso por dentro, sem cortes na pele. O procedimento é feito com anestesia local tumescente e, conforme a avaliação médica de cada caso, costuma permitir caminhar logo após o procedimento.
- Escleroterapia — consiste na injeção de uma substância que provoca a obliteração gradual da veia tratada. Muito utilizada para vasinhos e varizes finas, pode ser aplicada na forma de espuma ou solução líquida, dependendo do calibre e da localização.
- CryoLaser com Vein Viewer — combina laser de superfície com um sistema de visualização por luz infravermelha que revela veias invisíveis a olho nu. Permite tratar vasinhos com mais precisão e reduz o risco de deixar ramificações ativas sem abordar.
- Microescleroterapia guiada por Doppler — variação da escleroterapia realizada com auxílio de ultrassom, indicada quando veias não visíveis na superfície estão alimentando os vasinhos aparentes. A imagem em tempo real aumenta a eficácia da injeção e direciona o tratamento para a origem do problema.
O que define qual técnica será usada?
Não existe uma técnica superior às demais em termos absolutos — existe a técnica certa para cada caso. A escolha depende do calibre das veias, da presença e extensão do refluxo venoso identificado no Doppler, da localização das varizes, do histórico clínico da paciente e do objetivo do tratamento, que pode ser clínico, estético ou os dois ao mesmo tempo.
Na prática, muitos planos de tratamento combinam mais de uma técnica: laser endovenoso para fechar a veia principal com refluxo e escleroterapia para eliminar as ramificações menores que se alimentavam dela. Por isso, a consulta com a cirurgiã vascular é o único ponto de partida que faz sentido — sem avaliação clínica e Doppler, qualquer indicação é especulação.
Quando o tratamento sem internação não é indicado?
A maioria dos casos se resolve em ambiente ambulatorial, mas há situações que exigem outra abordagem. Varizes de grande calibre com comprometimento venoso profundo, quadros de trombose ativa ou condições clínicas associadas podem demandar avaliação mais detalhada e, dependendo do resultado, indicação cirúrgica convencional. Essa definição só é possível após exame físico e Doppler — não há como determinar isso por foto ou relato à distância.
Os sinais de que vale buscar avaliação especializada
Alguns sintomas indicam que é hora de consultar uma cirurgiã vascular, seja a queixa estética, clínica ou as duas juntas:
- Sensação de peso ou cansaço nas pernas ao longo do dia, especialmente à tarde
- Inchaço nos tornozelos que melhora quando você deita
- Dor ou ardência acompanhando o trajeto de veias visíveis
- Câimbras frequentes à noite nas pernas
- Vasinhos ou varizes que aumentaram em número ou tamanho nos últimos meses
- Manchas escurecidas ao redor dos tornozelos
Nenhum desses sinais é, por si só, emergência — mas todos indicam que uma avaliação médica pode trazer clareza sobre o que está acontecendo e o que pode ser feito.
O medo da internação não precisa ser o motivo para adiar o cuidado
Adiar o tratamento por receio de cirurgia é compreensível. Mas, na maioria dos casos, esse receio está ancorado em uma realidade que mudou. As técnicas atuais são menos invasivas, mais precisas e compatíveis com a rotina de quem não pode simplesmente parar.
Se você está em Palmas ou região e quer entender qual abordagem faz sentido para o seu caso, a Dra. Nayara Cavalcante realiza avaliação completa com Doppler venoso na Clínica Salus. Agende uma consulta pelo telefone (63) 3322-3278 ou acesse dranayaracavalcante.com.br.