Quando o assunto é tratamento de varizes, o laser aparece com frequência, mas nem sempre fica claro o que ele realmente faz dentro (ou fora) da veia, por que existem técnicas diferentes e qual delas serve para cada situação. Essa confusão é compreensível: o termo "laser para varizes" cobre procedimentos bastante distintos, indicados para vasos de calibres diferentes e com formas de atuação que não têm nada em comum além do uso da luz.
Este artigo explica, sem jargão desnecessário, como cada técnica funciona, para qual tipo de vaso ela é mais adequada e o que acontece durante e depois do procedimento. O objetivo é que você chegue à consulta com as perguntas certas e consiga entender as respostas.
Vale dizer desde o início: a indicação depende sempre de avaliação individual com cirurgião vascular. O mapeamento das veias por Doppler é o ponto de partida para qualquer plano de tratamento.
O que o laser faz com a veia, afinal?
O laser emite energia luminosa concentrada que, ao atingir o vaso, é absorvida pela hemoglobina presente no sangue. Essa absorção gera calor, que provoca uma lesão controlada na parede da veia. A veia reage fechando, e ao longo das semanas seguintes o organismo a reabsorve naturalmente. O sangue que passava por ela é redirecionado para veias saudáveis ao redor.
A diferença entre as técnicas está em onde e como essa energia chega até o vaso: pela superfície da pele ou de dentro da própria veia.
Laser transdérmico: para vasinhos e microvarizes
O laser transdérmico atua de fora para dentro. O feixe de luz atravessa a pele e age diretamente sobre vasos muito finos: as telangiectasias (os chamados vasinhos roxos ou vermelhos) e as microvarizes de pequeno calibre.
Por ser superficial, esse tipo de laser não requer punção nem anestesia local em toda a área tratada. O principal desconforto é a sensação de calor no momento da aplicação, e é exatamente aí que entra o resfriamento da pele, usado para proteger o tecido ao redor e tornar o procedimento mais tolerável.
CLaCS (CryoLaser e Cryoescleroterapia): laser e escleroterapia juntos
O CLaCS (Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy) combina o laser transdérmico com a injeção de uma substância esclerosante líquida, tudo com resfriamento simultâneo da pele. A lógica é que as duas ações se complementam: o laser enfraquece a parede do vaso, a substância esclerosante acelera o fechamento e o frio reduz o desconforto enquanto protege a superfície da pele.
Na Clínica Salus, a Dra. Nayara realiza o CLaCS com o auxílio do Vein Viewer, um equipamento de realidade aumentada que projeta o mapa das veias diretamente sobre a pele. Isso permite identificar as veias nutridoras — os vasos que "alimentam" os vasinhos visíveis — e tratá-las de forma mais precisa, em vez de apenas fechar o que aparece na superfície. Tratar a veia nutridora faz parte do planejamento do procedimento, e a evolução depende da avaliação individual de cada caso.
O CLaCS é indicado para telangiectasias e varizes de pequeno calibre. Cada caso é avaliado individualmente para definir se essa combinação é a mais adequada.
Laser endovenoso: para varizes de grosso calibre
Quando as varizes comprometem as veias safenas, os troncos venosos principais que correm ao longo da perna, o laser transdérmico não alcança a profundidade necessária. Nesses casos, a técnica utilizada é o laser endovenoso, também chamado de EVLT (Endovenous Laser Treatment) ou endolaser.
O procedimento funciona assim:
- O médico faz uma pequena punção (sem corte) e introduz uma fibra óptica fina dentro da veia safena doente
- Sob anestesia local e guiado por ultrassom, o laser é ativado ao longo do trajeto da veia
- O calor gerado pela fibra provoca o fechamento gradual do vaso por dentro
- A veia tratada costuma ser reabsorvida pelo organismo com o tempo, conforme a evolução de cada caso
Por ser realizado sob anestesia local e em ambiente ambulatorial, o laser endovenoso dispensa internação hospitalar. A recuperação costuma ser mais rápida do que a da cirurgia convencional de remoção da veia, embora o tempo exato varie conforme o caso e a orientação do médico responsável.
O que esperar depois do procedimento
Os cuidados no período pós-tratamento são definidos pelo médico caso a caso, mas alguns pontos aparecem na maioria dos protocolos:
- Uso de meia de compressão elástica pelo período indicado pelo especialista
- Caminhadas leves geralmente incentivadas logo nos primeiros dias, para estimular a circulação
- Evitar exposição solar direta na área tratada enquanto houver qualquer marca na pele
- Atividades de maior impacto suspensas por um período determinado na avaliação
É normal que a região tratada fique com alguma sensibilidade, leve inchaço ou equimose (manchas roxas) nos primeiros dias, especialmente após o laser endovenoso. Esses sinais diminuem progressivamente.
Laser substitui a cirurgia convencional?
Depende do caso. A cirurgia convencional de varizes (a safenectomia com retirada da veia) ainda tem indicações específicas, e o laser não é adequado para todo tipo de vaso ou situação clínica. Há também casos em que o laser é combinado com outras técnicas, como a espuma ecoguiada ou as microcirurgias vasculares, para tratar diferentes calibres de veia na mesma sessão.
A decisão sobre qual caminho seguir começa sempre com uma consulta e um Doppler vascular: o exame que mapeia o sistema venoso e mostra onde está o problema real, não apenas o que aparece na superfície da pele.
Quando agendar uma avaliação
Se você percebe vasinhos ou varizes nas pernas, com ou sem sintomas como peso, cansaço, inchaço ou dor, o momento certo de buscar avaliação é antes que o quadro avance. Varizes não tratadas tendem a progredir com o tempo, e quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções de tratamento minimamente invasivo ficam disponíveis.
A Dra. Nayara Cavalcante atende na Clínica Salus, em Palmas/TO, com Doppler vascular e sala de escleroterapia no mesmo local. Para agendar uma avaliação, entre em contato pelo telefone (63) 3322-3278.