Quem procura tratamento para varizes e vasinhos costuma ouvir dois nomes na mesma consulta: CLaCS e escleroterapia com espuma. As duas são feitas em consultório, as duas dispensam internação e as duas fecham veias doentes sem cirurgia. A diferença não está no objetivo — está no tipo de veia que cada uma trata bem.
Entender essa divisão ajuda você a chegar à consulta com as perguntas certas, em vez de escolher um tratamento pelo nome. Este artigo explica o que muda de uma técnica para a outra, quando cada uma costuma ser indicada e por que, em muitos casos, as duas aparecem juntas no mesmo plano.
As duas fecham a veia, mas por caminhos diferentes
Nas duas técnicas o destino é o mesmo: a veia alterada é fechada e, ao longo das semanas seguintes, absorvida pelo organismo. O sangue passa a circular pelas veias saudáveis.
O caminho até esse fechamento é que muda. O CLaCS combina calor, substância esclerosante e frio na mesma sessão. A escleroterapia com espuma trabalha com uma única substância, transformada em espuma para ocupar o interior do vaso. É dessa diferença de mecanismo que nasce a diferença de indicação.
O que é o CLaCS
CLaCS é a sigla de Cryo Laser & Cryo Sclerotherapy — em português, criolaser mais crioescleroterapia. A técnica reúne três recursos em um mesmo atendimento:
- Laser transdérmico: atravessa a pele e aquece o sangue dentro do vaso, provocando um dano térmico controlado que leva ao fechamento da veia
- Injeção de esclerosante: normalmente glicose, aplicada na veia tratada para reforçar esse fechamento
- Resfriamento da pele: um aparelho sopra ar gelado, que pode chegar a -20 °C, sobre a área tratada — protege a pele e reduz a sensibilidade durante o procedimento
Um quarto elemento costuma acompanhar a sessão: o mapeamento com realidade aumentada (VeinViewer), que revela as veias nutridoras — os vasos que alimentam os vasinhos visíveis e que, em geral, não aparecem a olho nu. Tratar a nutridora, e não apenas o vasinho da superfície, é a marca dessa abordagem. Você encontra o passo a passo completo no artigo sobre a técnica CLaCS.
O que é a escleroterapia com espuma
Na escleroterapia com espuma, um agente esclerosante — normalmente o polidocanol — é misturado a um gás em proporção controlada até formar uma espuma densa. Injetada na veia, essa espuma desloca o sangue e ocupa o espaço dentro do vaso.
É esse detalhe que dá potência à técnica: com o sangue afastado, a substância mantém contato direto e prolongado com a parede interna da veia, em vez de se diluir na corrente sanguínea. É o que permite tratar veias de calibre maior, nas quais o esclerosante em forma líquida não manteria contato suficiente para agir.
Quando a veia não é visível na superfície, a aplicação é guiada por ultrassom — é a chamada espuma ecoguiada. Para vasos de calibre menor, usa-se a microespuma. O artigo sobre o que a espuma faz nas varizes detalha esse mecanismo.
A diferença que mais pesa: o calibre da veia
Na prática clínica, a pergunta que separa as duas técnicas é simples: qual veia precisa ser tratada?
O CLaCS atua na faixa mais superficial — telangiectasias (os vasinhos), microvarizes e veias reticulares, incluindo as nutridoras que sustentam esses vasos. É a resposta mais frequente para quem procura o consultório incomodada com a aparência das pernas.
A escleroterapia com espuma cobre a faixa acima: varizes de médio e maior calibre, inclusive veias que não aparecem na superfície e só são localizadas pelo ultrassom. Também é uma alternativa considerada para pacientes que, por condição clínica, não são candidatos a procedimento cirúrgico.
Não existe técnica melhor — existe técnica adequada ao vaso e ao caso. Uma técnica aplicada fora da sua faixa de indicação não entrega o que se espera dela.
Comparando ponto a ponto
- Tipo de veia: CLaCS para vasinhos, microvarizes e veias reticulares; espuma para varizes de médio e maior calibre
- Recursos usados: o CLaCS combina laser, esclerosante e ar gelado; a espuma usa o esclerosante em forma espumosa
- Como a veia é localizada: realidade aumentada (VeinViewer) no CLaCS; ultrassom no caso da espuma ecoguiada
- Veia nutridora: é tratada no CLaCS, como parte do método
- Conforto durante a sessão: no CLaCS, o jato de ar gelado age como anestesia térmica e reduz o desconforto
- Depois do procedimento: a meia de compressão costuma ser orientada após a aplicação de espuma
- Número de sessões: varia conforme o caso nas duas técnicas — não existe regra fixa
Na maioria das vezes, não é uma ou outra
É comum que a mesma paciente tenha, ao mesmo tempo, varizes de calibre maior e vasinhos na superfície. Nesse cenário as técnicas não competem: elas entram em sequência, dentro de um mesmo plano de tratamento.
E a ordem importa. Tratar o vaso da superfície sem resolver a veia que o alimenta tende a comprometer o resultado — é exatamente por isso que a avaliação vem antes da escolha da técnica.
Como a indicação é definida
A definição não começa pelo tratamento, começa pelo diagnóstico. Na consulta, a cirurgiã vascular examina as pernas, identifica o padrão das veias alteradas e, quando indicado, realiza o mapeamento com Doppler para entender o comportamento do fluxo venoso.
Com esse mapa em mãos é possível responder a três perguntas: quais veias precisam ser tratadas, por qual técnica e em que ordem. Fazer a avaliação com Doppler na mesma consulta encurta esse caminho.
A indicação, os riscos e a evolução dependem sempre da avaliação médica individual. Nenhum artigo substitui a consulta.
Próximo passo
Se você tem varizes ou vasinhos e quer entender qual abordagem faz sentido no seu caso, o próximo passo é uma avaliação presencial com cirurgião vascular.
Em Palmas, a Dra. Nayara Cavalcante (CRM-TO 3227 · RQE 1999) atende na Clínica Salus, 401 Sul, Espaço Médico, com estrutura para avaliação com Doppler, CLaCS e escleroterapia no mesmo local. Agende sua avaliação pelo telefone (63) 3322-3278 ou em dranayaracavalcante.com.br.